2012
nossa relação se
resumia a likes no facebook e mais nada. você era meio estranho, falava demais.
eu nunca queria passar do ‘oi tudo bem?’ e sempre dava uma desculpa a cada
tentativa sua de falar comigo.
até que numa segunda-feira chuvosa de outubro, você
publica aquela música que eu gosto tanto. eu comento. você me chama no chat. e
até que você é sensível. e até que você é engraçado. ‘não estou fazendo nada, então
não custa responder ele por educação’ e quando vi, já eram 3 da manhã e eu
realmente precisava trabalhar cedo no outro dia.
2013
- amor, toca linger pra mim!
e você, sem camisa e cheio de charme com o violão na mão,
começa a tocar com ar de professor, me olha nos olhos, canta e me encanta
arriscando no inglês. eu te olho e só quero te devorar...
poderíamos passar a eternidade ali. naquela cozinha, eu, você e seu violão. se
você não tivesse feito tudo errado e estragado tudo. ei.. por que você fez isso?
não era pra ser assim... linger tem a letra triste, mas nos gostávamos e combinamos
que seria nossa música e que a letra não importava. por que você fez a letra
fazer sentido ?
‘e querido, você também jurou
você estava mentindo o tempo todo?’
por que você tinha que fazer a letra ter sentido...?
2014
janeiro, quarta-feira de chuva.
‘- você tem certeza disso?
- sim...
desligo o telefone como quem quer se desligar da vida. a
dor é tão forte que não sei se choro, se grito ou se rio de desespero. ‘e
agora, meu Deus?’
deito na cama, tentando amenizar a dor, lembrando que
amanhã é um outro dia e que a livraria me espera cheia de notas para dar
entrada... porém, nada mais importava. ‘o que eu vou fazer? o que eu vou fazer
sem ele? nossos sonhos... de novo, não,
Deus. eu não vou aguentar. por que? não é possível. e a nossa música? ninguém
deixa de amar do dia pra noite...’
tempestade. lá fora e dentro de mim.
começo a chorar. acabou de cair um raio lá fora e você
sabe, eu tenho medo de raios. mas não posso mais ligar pra você para dizer que
estou com medo. olho o celular. nenhuma mensagem sua. penso em ligar. não ligo.
e, na mesma velocidade que caí a água lá fora, caem minhas lágrimas.
me lembro de você cantando alto dentro do metrô, me
fazendo morrer de vergonha e de rir.
me lembro de você passando doce de leite nas minhas
bochechas grandes para lamber depois.
me lembro de você chorando no meu colo, querendo me
impedir de ir embora às 5 da manhã depois de uma briga boba.
me lembro do Buzina, nosso gato.
me lembro daquela musica que você improvisou ‘laaaaaiz
com zêêêê’.
me lembro de você implicando por que demorei no mc
donalds ou por que não avisei que ia ao mercado...
me lembro das nossas longas conversas, que quase me
faziam perder hora do trabalho todos os dias.
me lembro de quando você reclamava que eu parava em todas
as livrarias, mas que com toda paciência, me esperava sempre.
me lembro de nós dois escolhendo os filmes que íamos ver
naquela noite, e você morrendo de ciúme por que eu achava o Jacob lindo... e
depois me mandava foto dele no wts,
dizendo que estava assistindo sozinho, com saudades...
me lembro do seu roller, você sempre me trocava por ele
por algumas horas, tempo suficiente pra me deixar irritada, e quando chegava
compensava me beijando até eu cansar.
me lembro da sua voz, das suas covinhas e do seu
sorriso...
e choro, choro tanto que já nem sei mais. dói tanto, me
retorço em cima da cama.
umas semanas depois, você me manda uma mensagem de
‘saudade’ mas já sentimos que não somos mais os mesmos. que nosso riso nunca
mais será o mesmo.’
2015
outubro, segunda-feira de chuva.
chego em casa toda molhada, falo oi para o meu cachorro,
tomo um banho e passo um café. e, como uma miragem, lembro daquela música, da
nossa música. a mesma que nos juntou e que
também marcou o nosso fim.
hoje, me lembrei dessa música. e
penso que nem sei como cheguei até aqui quando me recordo daquela noite. o fato
é que amores vêm e vão e que o presente sempre é melhor que o passado. que
todo fim é necessário para novos e outros inícios. que a dor ~precisa ser
sentida~ para chegar numa tarde como essa, tomar um café, olhar o computador e
pensar ‘doeu, mas deu um belo texto.’
desamores são degraus que nos levam à inteligência
emocional. e não existe nada melhor que depois de tudo, ainda querer ser feliz.
por que depois da tempestade, o sol sempre volta a
brilhar.
não te detenhas pela dor de um desamor. encare, viva,
sinta, permita-se viver o que há pra viver. a vida é assim, entre um café e
outro, entre um dia de chuva e um dia de sol, entre paixões estarrecedoras ou
calmas, o amor há de chegar manso e quietinho, quando você estiver desavisado
de tudo. e, enquanto isso não acontece, viva todos os seus fins como se fossem
os últimos, mas não esqueça: ele vem. uma hora, ele vem!
só sabemos que é a pessoa certa depois de todos que deram
errado.
PAZ
beijinhos
com amor, laiz.