segunda-feira, 26 de outubro de 2015

doeu, mas deu um belo texto.



2012

nossa relação  se resumia a likes no facebook e mais nada. você era meio estranho, falava demais. eu nunca queria passar do ‘oi tudo bem?’ e sempre dava uma desculpa a cada tentativa sua de falar comigo.
até que numa segunda-feira chuvosa de outubro, você publica aquela música que eu gosto tanto. eu comento. você me chama no chat. e até que você é sensível. e até que você é engraçado. ‘não estou fazendo nada, então não custa responder ele por educação’ e quando vi, já eram 3 da manhã e eu realmente precisava trabalhar cedo no outro dia.

2013

-  amor, toca linger pra mim!
e você, sem camisa e cheio de charme com o violão na mão, começa a tocar com ar de professor, me olha nos olhos, canta e me encanta arriscando no inglês. eu te olho e só quero te devorar...

poderíamos passar a eternidade ali. naquela cozinha, eu, você e seu violão. se você não tivesse feito tudo errado e estragado tudo. ei.. por que você fez isso? não era pra ser assim... linger tem a letra triste, mas nos gostávamos e combinamos que seria nossa música e que a letra não importava. por que você fez a letra fazer sentido ?
‘e querido, você também jurou
você estava mentindo o tempo todo?’

por que você tinha que fazer a letra ter sentido...? 

2014

janeiro, quarta-feira de chuva.
‘- você tem certeza disso?
- sim...
desligo o telefone como quem quer se desligar da vida. a dor é tão forte que não sei se choro, se grito ou se rio de desespero. ‘e agora, meu Deus?’
deito na cama, tentando amenizar a dor, lembrando que amanhã é um outro dia e que a livraria me espera cheia de notas para dar entrada... porém, nada mais importava. ‘o que eu vou fazer? o que eu vou fazer sem ele? nossos sonhos...  de novo, não, Deus. eu não vou aguentar. por que? não é possível. e a nossa música? ninguém deixa de amar do dia pra noite...’
tempestade. lá fora e dentro de mim.
começo a chorar. acabou de cair um raio lá fora e você sabe, eu tenho medo de raios. mas não posso mais ligar pra você para dizer que estou com medo. olho o celular. nenhuma mensagem sua. penso em ligar. não ligo. e, na mesma velocidade que caí a água lá fora, caem minhas lágrimas.

me lembro de você cantando alto dentro do metrô, me fazendo morrer de vergonha e de rir.
me lembro de você passando doce de leite nas minhas bochechas grandes para lamber depois.
me lembro de você chorando no meu colo, querendo me impedir de ir embora às 5 da manhã depois de uma briga boba.
me lembro do Buzina, nosso gato.
me lembro daquela musica que você improvisou ‘laaaaaiz com zêêêê’.
me lembro de você implicando por que demorei no mc donalds ou por que não avisei que ia ao mercado...
me lembro das nossas longas conversas, que quase me faziam perder hora do trabalho todos os dias.
me lembro de quando você reclamava que eu parava em todas as livrarias, mas que com toda paciência, me esperava sempre.
me lembro de nós dois escolhendo os filmes que íamos ver naquela noite, e você morrendo de ciúme por que eu achava o Jacob lindo... e depois  me mandava foto dele no wts, dizendo que estava assistindo sozinho, com saudades...
me lembro do seu roller, você sempre me trocava por ele por algumas horas, tempo suficiente pra me deixar irritada, e quando chegava compensava me beijando até eu cansar.
me lembro da sua voz, das suas covinhas e do seu sorriso...

e choro, choro tanto que já nem sei mais. dói tanto, me retorço em cima da cama.
umas semanas depois, você me manda uma mensagem de ‘saudade’ mas já sentimos que não somos mais os mesmos. que nosso riso nunca mais será o mesmo.’

2015

outubro, segunda-feira de chuva.
chego em casa toda molhada, falo oi para o meu cachorro, tomo um banho e passo um café. e, como uma miragem, lembro daquela música, da nossa  música. a mesma que nos juntou e que também marcou o nosso fim.
hoje, me lembrei dessa música. e penso que nem sei como cheguei até aqui quando me recordo daquela noite. o fato é que amores vêm e vão e que o presente sempre é melhor que o passado. que todo fim é necessário para novos e outros inícios. que a dor ~precisa ser sentida~ para chegar numa tarde como essa, tomar um café, olhar o computador e pensar ‘doeu, mas deu um belo texto.’
desamores são degraus que nos levam à inteligência emocional. e não existe nada melhor que depois de tudo, ainda querer ser feliz.
por que depois da tempestade, o sol sempre volta a brilhar.
não te detenhas pela dor de um desamor. encare, viva, sinta, permita-se viver o que há pra viver. a vida é assim, entre um café e outro, entre um dia de chuva e um dia de sol, entre paixões estarrecedoras ou calmas, o amor há de chegar manso e quietinho, quando você estiver desavisado de tudo. e, enquanto isso não acontece, viva todos os seus fins como se fossem os últimos, mas não esqueça: ele vem. uma hora, ele vem!
só sabemos que é a pessoa certa depois de todos que deram errado.

PAZ


beijinhos
com amor, laiz.