segunda-feira, 28 de setembro de 2015

yeah, god is good.


acho que o lugar que eu mais amo no mundo é meu quarto.
passo noites trancada aqui, sonhando acordada, pensando se um dia, tudo o que eu sou vai ser diferente para alguém. ou se simplesmente tudo isso que construo no meu pequeno universo vai pertencer somente a mim...
confesso que, às vezes, tenho medo da minha solidão, mesmo sendo o meu ponto de paz.
por muitas vezes, quando me encontro sozinha aqui,  olho tudo o que eu me tornei e pergunto a Deus se tudo isso é tão meu que será... só meu? 
olho minhas fotos na parede, minhas músicas, meus livros, meus quadros de flores, meus diários, meu cheiro... um mundo que construí  e que, talvez por culpa minha mesmo, se tornou impenetrável. sou tão interessante e eu sei disso. sou tão linda por dentro e tenho certeza disso. só que sei lá, me parece que as quedas da vida me deixaram assim, aqui, quietinha, dentro de mim, como uma borboleta dentro do casulo, que sabe que é a hora de voar, mas não tem certeza ainda do que quer, ou é.
mas, mesmo que eu esteja assim, meio down, meio estranha, meio louca... eu ainda ouso sonhar. como se fosse uma adolescente que ainda acredita que o pra sempre existe, sim.

‘hoje eu vou acordar com uma mensagem sua às 7 da manhã. uma mensagem de bom dia e um áudio daquela música que você ouve e lembra de mim, claro. vou sorrir silenciosamente e disfarçar. mesmo que não tenha ninguém vendo, preciso disfarçar que não estou apaixonada por você. você não pode perceber isso de jeito nenhum porque eu sou orgulhosa, lembra? mas você vai saber... porque meus olhos vão sempre me denunciar.
no almoço, você vai me ligar querendo me ver, mas eu não vou querer. quero dizer, querer é claro que sim, mas não irei. faço charme, mesmo morrendo de vontade de colar em você.
vou passar o dia distraída lembrando da sua voz, do seu sorriso, do seu cheiro.
e, a noite, você aparece aqui em casa, como quem não quer nada e me trás flores, fazendo uma surpresa. você sempre vai me surpreender, né? vamos ficar na varanda conversando sobre a vida e dando risada de tudo. você vai reclamar do meu café doce mas vai beber mesmo assim, só  para me acompanhar. e vai dizer que a estrela mais brilhante será você sorrindo pra mim quando não estiver por perto. eu vou rir e perguntar: ‘pra quantas você já disse isso?’ eu sei que sou a primeira, mas preciso confirmar. te amar ainda é um sonho.
o que temos para o jantar? não sei, vamos fazer brigadeiro com coca-cola? porque eu não cozinho muito bem só que não quero que você saiba disso... não agora, que está tudo tão lindo.
mas você vai cozinhar pra mim. sim, você. e vai fazer  o melhor arroz com batatas fritas do mundo.
- amor, tá passando Chris, deixa aí!!!
- ah, estamos comendo...
- não, deixa. – eu insisto. e assim, comemos e rimos, com o bom e velho Chris.
depois, vamos dar água para as florzinhas, comida pro gato da rua e tomar sorvete de pistache. eu amo pistache e com certeza, você me acha muito estranha por isso. vou comprar mais umas 3 caixinhas de tic tac e você vai me chamar de doida dizendo que já tenho umas quinze em casa.
'onde vamos ver a lua hoje?' morrinho. nosso lugar preferido do mundo. o mundo está realmente lindo com você ao meu lado. ficamos por lá, a lua está cheia, o vento suave, o céu estrelado, e num silêncio, me pego a pensar no que você está pensando. e penso que você é tão perfeito, que só pode ser sonho.
às 22, voltamos e nossos 3 cachorrinhos estão no portão nos esperando. uma você deu o nome de ‘gravidinha’ por que ela vive grávida, coitada.
ao entrar, ligamos a TV e colocamos ‘malu de bicicleta’. quem disse? nos primeiros 3 minutos já nem vamos lembrar o nome do filme direito. você já estará grudado em mim e eu vou pensar, mais uma vez, que só deve ser sonho mesmo...
- amor, quero brigadeiro com coca-cola. – eu insisto na minha gordice preferida. e, enquanto você prepara tudo, coloco uma camiseta sua e vou assistir Hora de Aventura.
brigadeiro na cama, já fico revoltada por que você demorou meia hora e meia hora longe de você, mesmo que seja um cômodo de distancia, pra mim é eternidade, crueldade.
vamos discutir, óbvio. você vai reclamar de como vejo o mundo e eu vou te chamar de grosso. emburrada, vou te dar as costas e tentar dormir. só que não vai dar cinco minutos, e você vai me chamar...
- lá?
 e claro, eu não vou responder e aí você terá certeza que está tudo bem de novo, e vai me encher de beijos e cócegas.
mas, como se não bastasse, você vai invocar com minhas mensagens no celular e mesmo eu sabendo que não tem nada, vou rir por dentro da sua crise de ciúme.
depois vamos discutir sobre os livros que estamos lendo, sobre futebol, aquele seriado que você insiste em dizer que é bom e eu sei que é mas vou dizer que não quero ver. vou sim, sem você saber. vou te dar um  dos meus livros e você vai dizer que não vai ler aquele livro de mulherzinha. vai sim, sem eu saber.
e, depois de tanto discutir coisas em vão, você vai me olhar e dizer o quanto acha a minha boca linda...
vou escolher o que vamos ouvir.
- amor, the smiths? the xx? phoenix? mgmt? hum, tem marcelo camelo também. one of us. essa! eu amo essa música... ah, fiz uma play só pra nós, você vai amar... – disparo a falar, eu sendo eu e você rindo de mim por eu ser eu... enquanto abre aquele vinho maravilhoso que trouxemos de Andradas.
sem entender nada, você vai concordar com tudo. e mesmo que você não goste da metade das músicas que eu gosto (que são de mulherzinha), você vai ouvir todas comigo e no fundo, você vai até gostar. 
e, assim, ouvindo a play que eu montei com o nome de ~meu sol~ vamos olhar as estrelas pela janela abraçados na melhor conchinha do mundo: eu e você.
por que se fosse outro, não seria assim, um sonho.
e, antes de pegar no sono, começamos a sonhar com nossa futura casa e combinamos que ela vai ser retrô e cheia de flores. te conto que nossa filha vai chamar Splendora e você ri até doer sua barriga mas concorda. então, decidimos se vai ser com 's' mudo ou com 'es'. ficamos ali, sonhando com o dia que meus livros vão se juntar com os teus numa mesma prateleira. com o dia que você vai chegar cansado do trabalho, deitar no meu colo e pedir cafuné.
você que ainda não encontrei e que existe apenas aqui, dentro de mim.’


seria tudo muito legal, se não fosse apenas as coisas que eu penso trancada no meu quarto! haha
dizem que sou muito exigente. não acho que sou exigente... só sei muito bem quem eu quero e principalmente, quem eu sou.
enquanto nada acontece...  vou vivendo assim mesmo, feliz no meu mundo, dançando com minha doce solidão!
corações especiais merecem corações especiais.


beijinhos
com amor, laiz.

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