terça-feira, 21 de junho de 2016

sobre relacionamentos que nos roubam de nós mesmos:

eu estava feliz. eu estava livre. eu tinha acabado me libertar de um relacionamento de 3 anos.



relacionamento esse que eu amava sozinha e não me dava conta. nossa vida era resumida a roles estranhos e loucos e eu achava que aquilo era suficiente pra eu ser feliz. eu estava sempre disposta a ajudar ele no que fosse preciso e disponível para tudo, a todo momento. era no trabalho dele ou quando ele passava mal por que tinha dado um role ‘com os caras’. role louco num sábado a noite e que claro, eu estava em casa esperando pelo domingo a noite, único momento do fds que nos veríamos por que ele achava melhor e queria assim. e eu, coitada de mim... aceitava tudo calada por ‘amar’ demais quem não merecia nem uma mera mensagem minha de ‘oi, tudo bem’. 
mas, um belo dia eu resolvi abrir os olhos. exatamente assim. depois de tantas idas e voltas, eu quis acabar com tudo aquilo que me consumia por dentro. que me fazia chorar roles a fora. meus amigos mais próximos vão lembrar, quando minha vida era uma garrafa de conhaque e alguns escritos no papel higiênico, sentada sozinha na mesa de sinuca do Kingston. por que ele.... onde estava ele? mas depois que a gente abre os olhos, não dá mais pra fechar. até que uma vez ele me procurou pedindo um abraço. um abraço de arrependimento, certeza. e naquela hora, ao tentar abraçar ele, pela primeira vez senti que estava fazendo a coisa errada e que os abraços que eram tão quentes ficaram tão frios, e milagre, frios da minha parte. então, virei, saí andando e tudo acabou. e meu único sentimento naquele momento foi: ‘finalmente, eu estou livre.’


 ‘a gente ria tanto desses nossos desencontros, mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais’. a você, desejo que um dia se encontre.

mas como eu estava dizendo... eu estava feliz. estava no emprego dos meus sonhos, a livraria. eu não trabalhava, eu me divertia. como boa leitora que sempre fui, trabalhar com livros sempre foi um prazer. eu tinha meus amigos por perto, os roles mais insanos e sem aquela preocupação ‘onde ele está?’, alias a minha única preocupação era ser feliz e mais nada.

2013. o melhor ano, de cara e sem sombra de dúvidas. nas minhas folgas semanais, já era rotina:

- MANO D, DÉCIO E MORRINHO AMANHÃ. TE ENCONTRO AS 15 NA PRAÇA!
- FECHOU MANO L.

era assim que eu chamava uma das minhas melhores amigas. era ela quem abraçava comigo os roles mais doidos numa terça a tarde. nos encontrávamos no meio da tarde na praça do Décio e lá ficávamos, com litros de cerveja, deitadas na grama, olhando o céu, ouvindo as músicas mais psicodélicas e filosofando sobre a vida. aaaaa, falar da vida! era nosso único e melhor assunto. ela sempre foi boa ouvinte e sempre conseguiu acompanhar os meus pensamentos insanos.

- o que vamos fazer quando estivermos com 30?
- será que vamos estar loucas como somos hoje?
- ou será que vamos lembrar com nostalgia?
- aaaa, eu acho que vamos continuar loucas! velhas e loucassss!

17:00.
- miga, por do sol no morrinho! vamos descer!
- vamossss!!!!!
- coloca cone aí haha chama os mlk.
- aaaa mano, não, mgmt, time to pretend.

a descida era sempre uma aventura. íamos cantando e andando no meio fio, quase sendo atropeladas na avenida movimentada.
por do sol no morrinho. que paraíso. um dos melhores lugares do mundo pra mim. e não importa se o tempo passou, sempre foi e sempre será.
era lindo ver o por do sol ali. era lindo contemplar o que o mundo tinha de melhor a nos oferecer.

- miga, ce bola que eu não consigo, to bêbada!
- ai ta bom mano, mas não sei se vou conseguir!

e, como que numa miragem, depois do por do sol, ao olhar pra trás, a lua sempre aparecia pra nos mostrar sua beleza. lua, nossa bolinha branca no céu!

- cara, nosso role tá tão bom!
- vamos pro Décio de novo?! pegar mais uma breja, uma canelinha!!!!
- vaaaamos! mas antes vamos passar no mercado.

a subida era sempre mais lenta e brisada, claro.

- miga aquele cara ta olhando pra nós.
- não ta não, sua louca - risos 
- ta sim!
- mano, ce ta louca? ce ta louca né. 
~risos infinitos~

mercado:

- quero um shot. mas só tem shot pequeno. QUERO UM SHOT GRANDE!
- SHOT GRANDE? (risos infinitos de novo)
- por que ce tá rindo?!
- não sei, shot grande é engraçado.

saindo do mercado:

- a moça do caixa ficou olhando pra nós mano.
- ela deve ter visto nossos olhos vermelhos...

mais risos infinitos.
ao voltar para o Décio e para a praça muito amor, de novo deitávamos na grama, a música, a cerveja, o céu, o lugar, tudo ali era eterno e calmo. e sem nos darmos conta, o bar já estava fechando e já era mais de 22:00


amiga, desejo que você cresça. sempre cresça.

eu estava bem, eu estava feliz. eu estava vivendo a melhor fase e o que é melhor: eu e eu. sem ninguém pra atrapalhar ou me roubar de mim.

mas, nesse tempo, as coisas tinham que mudar de rumo.
já conversava com um cara há anos, um cara de Guarulhos, que no fim do meu ultimo relacionamento, me deu muita força. pra mim, aquilo era só amizade e total fora de cogitação me envolver com um cara que nem morar na minha cidade morava.
porém, as coisas foram acontecendo e eu nem percebi que ali estávamos nós dois, alguns meses depois, jurando amores eternos.
ele apareceu no meu melhor momento. eu achava que era pra ser.
achava que era pra ser porque ele dizia gostar de mim de verdade. e depois de tantos anos presa em um relacionamento que eu amei sozinha, vai ver era o que eu precisava. e depois de muito pensar, decidi que tentaria.
a paixão do inicio foi estarrecedora. e por mais que fosse bom, no meu íntimo eu sabia que aquele não era um bom começo.
era um começo cheio de ‘eu te amo’ e ‘não vivo sem você’.
todas as vezes que eu pensava em desistir, ele não me deixava ir e isso me fazia acreditar que ele era o cara que eu sempre esperei. então deixei ser.
o caso foi ficando sério e finalmente começamos a namorar.
era um namoro difícil, namoros a distancia nunca faz bem.
eu tinha alguns indícios que aquilo poderia de novo me roubar de mim, mas não queria acreditar porque ele me fazia acreditar que não. ele foi bom de lábia mesmo.
sempre que eu queria parar, era um melodrama de ‘não vou conseguir mais ficar sem você’.
quando, por algum motivo, brigávamos feio e tudo que eu queria era a minha casa, ele se fazia em lágrimas e ameaçava se matar. descia até a cozinha e dizia ‘tá bom Laíz, é isso que você quer.’
eu, claro, na minha doce inocência e coração puro, corria atrás e dizia, mesmo sem querer, que ficaria lá com ele e que não iria embora.
a famosa psicologia reversa acontecia também. a culpa das brigas eram sempre minhas mesmo eu sabendo que não.
até que um dia, ele disse, num sábado a noite que iria andar de patins. avisei que ligaria mais tarde e liguei. celular desligado.
na terça-feira, ao ligar como de costume, horas ocupado.
quando finalmente atendeu: ‘estava falando com um amigo.’
na quarta-feira, postei uma música do los hermanos e um conhecido comentou’ por também curtir a banda.
foi a deixa para ele me ligar e dar um ataque de ciúme e terminar tudo, assim, em menos de 5 minutos.
no sábado, ele atualizou status de relacionamento com uma outra garota. uma ex.
foi difícil. eu achei que seria impossível. eu vi meu mundo desabar sobre mim.  mundo que antes dele chegar, estava perfeito.
e eu perguntava pra Deus:
- por que, meu Deus? eu achei que ele era  o cara que eu sempre esperei.


desejo do fundo do meu coração, que você encontre seu equilíbrio emocional.


bom, alguns anos depois é claro que eu tenho a resposta.
mas o que eu quero dizer contando tudo isso?
não deixem que te roubem de você. amor que te rouba, não é amor. amor que não permite você ser quem você é ou que te controla ou que te faz perder o amor próprio não é amor. e, por mais que fins sempre pareçam fins de verdade, nunca tudo estará perdido. há sempre um novo dia, um novo tempo, uma nova chance. aprenda com os erros e siga sempre em frente. Deus se encarrega de trazer até você o que é seu. mas, às vezes, no meio do caminho, encontramos pessoas que nos enganam e não conseguimos ver na hora, cegos por sentimentos que, ao invés de libertar, nos aprisionam.
observe os detalhes e não desista. antes de amar alguém, se ame. e não ache que o mundo acaba quando uma pessoa errada vai embora. acredite, se ela foi embora, não era sua pessoa certa. e o que torna a vida doce e bela é essa busca da pessoa dos sonhos. sabe aquela ansiedade boa de ‘será que é?’
e quando isso acontecer, pode ter certeza que não sobrará dúvidas ou sentimentos de desgaste. e só então você vai poder sorrir em paz e pensar ‘valeu a pena passar por tudo e encontrar você.’ e vai entender que na verdade, a pessoa certa vai te devolver.


beijinhos
com amor, laiz.

terça-feira, 7 de junho de 2016

POR QUE ELA NÃO NAMORA?

esses dias alguém me perguntou na faculdade: ‘lá, por que você não namora?’
por alguns segundos hesitei e paralisei me fazendo a mesma pergunta: ‘POR QUE EU NÃO NAMORO?’
e, sem encontrar uma resposta digna na hora, respondi meio sem jeito: ‘porquê não encontrei alguém ainda.’
mesmo respondendo, fiquei com aquilo na cabeça e comecei a me questionar reparando em todos os  casais que passavam por mim enquanto eu pensava...


POR QUE ELA NÃO NAMORA?
ela não namora porque sabe que um namoro vai muito mais além que um status no facebook e fotos bonitinhas no instagram e quiçá, bem clichê e piegas.
ela não namora porque sabe que os amores de hoje em dia estão escassos e raros. amores facebookianos... aqueles com palavras secas e soltas sem nenhum valor real, do tipo ‘te amo amo princesa’ daquele brother que vai para a balada sem a namorada saber.
ela não namora porque sabe que aquele cara que possivelmente poderia ter uma chance, curte todas as fotos de mulheres que vê pela frente, inclusive da ex. e depois chama no whatsapp na maior cara de pau ‘só to falando com você.’ aham, tá bom, aham. (rs)
ela não namora porque sabe que a possibilidade de se envolver com um cara sem conteúdo é de 99 pra 1, então, prefere apenas observar minuciosamente todas as possibilidades... até porque quanto mais observa, mais desencana, é incrível!
ela não namora porque cansou dos relacionamentos furados de 3 semanas e meia, já que os caras são sempre tão babacas e imaturos.
ela não namora porque a maioria dos caras hoje em dia não sabem falar de música, nem de livros, nem de amor, nem de nada.
ela não namora porque o cara que tem 25 anos diz que está apaixonado na primeira conversa e acha que ela vai cair! ai, como ele é bobinho! e se tinha algum resquício de chance com ela, perdeu nesse mesmo momento, pois ela já aprendeu com a vida que nunca, ninguém  ~que dirá um homem~ vai se apaixonar numa primeira conversa sobre o cotidiano. filho, o que você ta querendo com esse papo?! sai dessa, que eu to saindo também!
ela não namora porque aquele cara que chama de linda na primeira conversa e que geralmente não tem muito a dizer, não vai prender a sua atenção.
ela não namora porque sabe que quando acontecer, vai ter que ser pra valer.
ela não namora porque tem convicção do que quer. e principalmente de quem ela é.
ela não namora pois sabe que a subjetividade dela vem antes de qualquer atração e que poucos a enxergam como ela  realmente é. poucos ou nenhum.
ela não namora e não se importa com o que vão pensar ou falar dela, ela só quer saber de viver a vida a sua maneira, sem medo dos julgamentos alheios, sem receio de ser como é, assim, solteira aos 26.
ela não namora porque aquele cara legal que ela encontrou, sabe tudo, menos dar um abraço bom. isso para ela é crucial.
ela não namora porque aquele cara, o mesmo que não sabe dar abraço, também não sabe beijar a mão e a testa e acha que o corpo é composto de apenas um membro. coitado...
ela não namora porque sabe que isso pra ela não é prioridade. porque sabe que ser feliz, sozinha ou não, é o que vai fazer a vida valer a pena.
ela não namora porque não tem medo da própria solidão, da própria companhia, pelo contrário, estar só com ela é o que ela mais gosta.
ela não namora e não leva a sério aquele papo de ‘vai ficar pra titia’, até porque, cá pra nós, ser tia deve ser tão legal!
ela não namora porque sabe que não é qualquer um que vai saber lidar com o temperamento forte e impulsivo dela. mas, que por outro lado, o homem que conseguir domar a fera que há lá dentro, terá seu total amor e fidelidade.
ela não namora porque entende que, num mundo onde relacionamentos e namoros são líquidos, prefere não fazer parte disso, já que o raso e o curto não a satisfazem mais.
ela não namora por não se encaixar nesses lances de relacionamento aberto, amor livre, etc e tal. ela pode ser durona, mas ainda sonha com algo verdadeiro e exclusivo dela.
ela não namora porque até agora homem nenhum foi capaz de despertar nela o desejo de amar e de se entregar.
e ela sabe que para conquistá-la é preciso ser muito mais.
ela não namora e isso não a faz pior ou menos mulher, pelo contrário. isso faz dela a mulher dos sonhos de qualquer homem que vale a pena. e ela sabe disso. por isso escolheu esperar.


beijinhos
com amor, laiz.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ONTEM EU ENTREI EM VOCÊ.

ontem eu entrei em você na mesma hora que te vi. nossa preliminar começa no olhar e só nós dois sabe o quanto isso aumenta o nosso tesão.


ontem estava frio e chovendo, típico dia que eu quis te devorar e fazer o nosso melhor sexo, aquele de ladinho.
ontem eu coloquei aquela música hot no repeat infinito. aquela musica que deveria chamar ‘nós’.
ontem eu me deixei em cima de ti, naquela cama apertada, naquele quarto fechado que cheira nossos perfumes misturados e nosso suor, que cheira o nosso amor.
ontem eu te desejei como nunca desejei ninguém e tinha que ser ali, naquela hora, daquele jeito, com platéia e tudo mais, mas tinha que ser. o tesão por você não espera.
ontem eu te comi com meus olhos, te dissipei com a minha boca gosto café, te engoli e te mapeei com minha língua. explorei cada centímetro do seu corpo, que delícia é teu gosto, meu bem. mas nada parecia suficiente. de você eu quero sempre mais.
ontem eu ouvi seu suspiro, seu gemido, sua voz,  misturados com o barulho da chuva, a gente contra o frio da forma mais gostosa do mundo... e pensei que maior tesão não há que entrar em você e você em mim.
e quer saber? ontem podia ser hoje e sempre.
depois de uma noite incrível e de divagar sem fôlego pelo seu corpo, a gente só consegue planejar quando será a próxima loucura.

ontem, sentindo nossos corpos grudados, só ficou o silêncio e o tesão. e a gente bem sabe o que isso significa...


beijinhos
com amor, laiz.