eu estava feliz. eu estava livre. eu tinha acabado me
libertar de um relacionamento de 3 anos.
relacionamento esse que eu amava sozinha e
não me dava conta. nossa vida era resumida a roles estranhos e loucos e eu
achava que aquilo era suficiente pra eu ser feliz. eu estava sempre disposta a
ajudar ele no que fosse preciso e disponível para tudo, a todo momento. era no
trabalho dele ou quando ele passava mal por que tinha dado um role ‘com os
caras’. role louco num sábado a noite e que claro, eu estava em casa esperando
pelo domingo a noite, único momento do fds que nos veríamos por que ele achava
melhor e queria assim. e eu, coitada de mim... aceitava tudo calada por ‘amar’
demais quem não merecia nem uma mera mensagem minha de ‘oi, tudo bem’.
mas, um
belo dia eu resolvi abrir os olhos. exatamente assim. depois de tantas idas e
voltas, eu quis acabar com tudo aquilo que me consumia por dentro. que me fazia
chorar roles a fora. meus amigos mais próximos vão lembrar, quando minha vida
era uma garrafa de conhaque e alguns escritos no papel higiênico, sentada sozinha na mesa de sinuca do Kingston. por que ele.... onde estava ele? mas depois que a gente abre os olhos, não dá mais pra fechar. até que uma
vez ele me procurou pedindo um abraço. um abraço de arrependimento, certeza. e naquela hora, ao tentar abraçar ele, pela primeira vez senti que estava
fazendo a coisa errada e que os abraços que eram tão quentes ficaram tão frios,
e milagre, frios da minha parte. então, virei, saí andando e tudo
acabou. e meu único sentimento naquele momento foi: ‘finalmente, eu estou
livre.’
‘a gente ria tanto desses nossos desencontros, mas
você passou do ponto e agora eu já não sei mais’. a você, desejo que um dia se
encontre.
mas como eu estava dizendo... eu estava feliz. estava no emprego dos
meus sonhos, a livraria. eu não trabalhava, eu me divertia. como boa leitora
que sempre fui, trabalhar com livros sempre foi um prazer. eu tinha
meus amigos por perto, os roles mais insanos e sem aquela preocupação ‘onde ele
está?’, alias a minha única preocupação era ser feliz e mais nada.
2013. o melhor ano, de cara e sem sombra de dúvidas. nas
minhas folgas semanais, já era rotina:
- MANO D, DÉCIO E MORRINHO AMANHÃ. TE ENCONTRO AS 15 NA PRAÇA!
- FECHOU MANO L.
era assim que eu chamava uma das minhas melhores amigas. era
ela quem abraçava comigo os roles mais doidos numa terça a tarde. nos
encontrávamos no meio da tarde na praça do Décio e lá ficávamos, com litros de
cerveja, deitadas na grama, olhando o céu, ouvindo as músicas mais psicodélicas
e filosofando sobre a vida. aaaaa, falar da vida! era nosso único e melhor assunto. ela
sempre foi boa ouvinte e sempre conseguiu acompanhar os meus pensamentos
insanos.
- o que vamos fazer quando estivermos com 30?
- será que vamos estar loucas como somos hoje?
- ou será que vamos lembrar com nostalgia?
- aaaa, eu acho que vamos continuar loucas! velhas e
loucassss!
17:00.
- miga, por do sol no morrinho! vamos descer!
- vamossss!!!!!
- coloca cone aí haha chama os mlk.
- aaaa mano, não, mgmt, time to pretend.
a descida era sempre uma aventura. íamos cantando e andando
no meio fio, quase sendo atropeladas na avenida movimentada.
por do sol no morrinho. que paraíso. um dos melhores lugares
do mundo pra mim. e não importa se o tempo passou, sempre foi e sempre será.
era lindo ver o por do sol ali. era lindo contemplar o que o
mundo tinha de melhor a nos oferecer.
- miga, ce bola que eu não consigo, to bêbada!
- ai ta bom mano, mas não sei se vou conseguir!
e, como que numa miragem, depois do por do sol, ao olhar pra
trás, a lua sempre aparecia pra nos mostrar sua beleza. lua, nossa bolinha branca no céu!
- cara, nosso role tá tão bom!
- vamos pro Décio de novo?! pegar mais uma breja, uma
canelinha!!!!
- vaaaamos! mas antes vamos passar no mercado.
a subida era sempre mais lenta e brisada, claro.
- miga aquele cara ta olhando pra nós.
- não ta não, sua louca - risos
- ta sim!
- mano, ce ta louca? ce ta louca né.
~risos infinitos~
mercado:
- quero um shot. mas só tem shot pequeno. QUERO UM SHOT
GRANDE!
- SHOT GRANDE? (risos infinitos de novo)
- por que ce tá rindo?!
- não sei, shot grande é engraçado.
saindo do mercado:
- a moça do caixa ficou olhando pra nós mano.
- ela deve ter visto nossos olhos vermelhos...
mais risos infinitos.
ao voltar para o Décio e para a praça muito amor, de novo deitávamos na grama, a música, a cerveja, o céu, o lugar, tudo ali era eterno e calmo. e sem nos darmos
conta, o bar já estava fechando e já era mais de 22:00
amiga, desejo que você cresça. sempre cresça.
eu estava bem, eu estava feliz. eu estava vivendo a melhor fase e o que é melhor: eu e eu. sem ninguém pra atrapalhar ou me roubar de mim.
mas, nesse tempo, as coisas tinham que mudar de rumo.
já conversava com um cara há anos, um cara de Guarulhos, que
no fim do meu ultimo relacionamento, me deu muita força. pra mim, aquilo
era só amizade e total fora de cogitação me envolver com um cara que nem morar na
minha cidade morava.
porém, as coisas foram acontecendo e eu nem percebi que ali
estávamos nós dois, alguns meses depois, jurando amores eternos.
ele apareceu no meu melhor momento. eu achava que era pra
ser.
achava que era pra ser porque ele dizia gostar
de mim de verdade. e depois de tantos anos presa em um relacionamento que eu
amei sozinha, vai ver era o que eu precisava. e depois de muito pensar, decidi
que tentaria.
a paixão do inicio foi estarrecedora. e por mais que fosse
bom, no meu íntimo eu sabia que aquele não era um bom começo.
era um começo cheio de ‘eu te amo’ e ‘não vivo sem você’.
todas as vezes que eu pensava em desistir, ele não me
deixava ir e isso me fazia acreditar que ele era o cara que eu sempre esperei. então deixei ser.
o caso foi ficando sério e finalmente começamos a namorar.
era um namoro difícil, namoros a distancia nunca faz bem.
eu tinha alguns indícios que aquilo poderia de novo me
roubar de mim, mas não queria acreditar porque ele me fazia acreditar que não. ele foi bom de lábia mesmo.
sempre que eu queria parar, era um melodrama de ‘não vou
conseguir mais ficar sem você’.
quando, por algum motivo, brigávamos feio e tudo que eu
queria era a minha casa, ele se fazia em lágrimas e ameaçava se matar. descia
até a cozinha e dizia ‘tá bom Laíz, é isso que você quer.’
eu, claro, na minha doce inocência e coração puro, corria
atrás e dizia, mesmo sem querer, que ficaria lá com ele e que não iria embora.
a famosa psicologia reversa acontecia também. a culpa das
brigas eram sempre minhas mesmo eu sabendo que não.
até que um dia, ele disse, num sábado a noite que iria andar
de patins. avisei que ligaria mais tarde e liguei. celular desligado.
na terça-feira, ao ligar como de costume, horas ocupado.
quando finalmente atendeu: ‘estava falando com um amigo.’
na quarta-feira, postei uma música do los hermanos e um
conhecido comentou ‘♥’ por também curtir a banda.
foi a deixa
para ele me ligar e dar um ataque de ciúme e terminar tudo, assim, em menos de
5 minutos.
no sábado,
ele atualizou status de relacionamento com uma outra garota. uma ex.
foi difícil. eu achei que seria impossível. eu vi meu
mundo desabar sobre mim. mundo que antes
dele chegar, estava perfeito.
e eu perguntava pra Deus:
- por que, meu Deus? eu achei que ele era o cara que eu sempre esperei.
desejo do fundo do meu coração, que você encontre
seu equilíbrio emocional.
bom, alguns anos depois é claro que eu tenho a resposta.
mas o que eu quero dizer contando tudo isso?
não deixem que te roubem de você. amor que te rouba, não é
amor. amor que não permite você ser quem você é ou que te controla ou que te
faz perder o amor próprio não é amor. e, por mais que fins sempre pareçam fins
de verdade, nunca tudo estará perdido. há sempre um novo dia, um novo tempo, uma
nova chance. aprenda com os erros e siga sempre em frente. Deus se encarrega de
trazer até você o que é seu. mas, às vezes, no meio do caminho, encontramos
pessoas que nos enganam e não conseguimos ver na hora, cegos por sentimentos que, ao
invés de libertar, nos aprisionam.
observe os detalhes e não desista. antes de amar alguém, se
ame. e não ache que o mundo acaba quando uma pessoa errada vai embora. acredite, se ela foi embora, não era sua pessoa certa. e o que torna a vida
doce e bela é essa busca da pessoa dos sonhos. sabe aquela ansiedade boa de
‘será que é?’
e quando isso acontecer, pode ter certeza que não sobrará
dúvidas ou sentimentos de desgaste. e só então você vai poder sorrir em paz e
pensar ‘valeu a pena passar por tudo e encontrar você.’ e vai entender que na verdade, a pessoa certa vai te devolver.
beijinhos
com amor, laiz.



