‘tenho andado distraída, impaciente, indecisa, e ainda
estou confusa só que agora é diferente... sou tão tranquila e tão contente...’
tem dias que tudo que você quer é ficar sozinho, trancado
não só no seu quarto, mas também no seu mundo.
essa madruga perdi o sono e me senti invadida por milhões
de pensamentos que só me fizeram
lágrimas. pensar demais machuca o coração. taí...
me pediram para falar dos meus amores. confesso que é um
texto bem pessoal, mas acho que em pelo menos uma das historias abaixo, você vai se identificar.
e quem sabe assim, eu consiga, de alguma forma te mostrar que a vida é bela,
que amar vale a pena e que mesmo em dias como esses, meio cinzas e confusos,
vale a pena. vale a pena pois não existe nada que te faça mais vivo que a
dor. vale a pena porque é na dor que se faz a arte de viver e aprender.
resumi bastante, tentei deixar o mais leve possível. afinal,
é esse o meu objetivo.
(des)amores.
'antes de dormir vou ouvir a play que eu postei.'
apago a luz, deito no quentinho da minha cama, dou boa noite para
meu cachorro e coloco a primeira música para tocar. de cara, a mais dolorida.
‘prometi pra mim mesma que vou ouvir todas’ e com os olhos
fechados, segurando pra não chorar já na primeira música, começo a cantar como
quem acha que, assim, vai escapar de sentir o que tá sentindo.
incrível mesmo é se deparar com teu passado com uma simples e
ingênua publicação.
fiz tudo pensando nos meus leitores e no que sentiriam. é claro
que ao postar cada música, lembrei de algo ou alguém. mas, não imaginava que ao
ouvir, sentiria esse turbilhão de sentimentos revirados, doendo como uma lança
que atinge o peito, que me remeteu àquilo que eu sempre fugi: minhas lembranças mais remotas.
me lembrei daquele meu primeiro amor aos 17, em que eu acreditava
tudo ser pra sempre. eu aqui, ele lá em SP, nós dois tão jovens, vivendo um
sentimento tão puro e real, e ao mesmo tempo tão pesado. éramos dois
adolescentes sem grana, apaixonados. quando o encontrei, acreditei mesmo ser
ele o cara dos meus sonhos. imaginei minha vida inteira com ele, só com ele, e
que se dane a distância. pura ingenuidade. a distância foi o maior fator que
nos separou e não, não teria só ele em minha vida. mal sabia eu de tudo que
ainda estava por vir. demorei uns 2 anos para superar.
me lembrei do meu primeiro namorado, agora aos 20. aquele cara parecia
tão centrado e dono de si. sabia tudo, era dono do mundo. com ele me sentia
assim também, dona de mim, dona do mundo. não levávamos uma vida certinha, mas
éramos felizes a nossa maneira. com ele, sentia meu coração queimar, arder,
nossos abraços eram sempre longos, apertados e quentes e isso me fazia pensar
que ele seria pra sempre. aí, nossas personalidades foram se mostrando cada vez
mais incompatíveis. ele mostrou um lado totalmente egoísta... as brigas foram
ficando cada vez mais frequentes e o nosso contato físico e emocional, cada vez
mais escassos. ainda depois do fim, demorei alguns anos para entender que ele
não era pra mim.
e depois disso, tive a fase de ficar sozinha, na minha, sem
amores, sem dores, sem emoções, só eu e eu. mas não consegui por muito tempo.
quem nasce para amar, tem que amar.
mais uma vez, me vi de cara com SP. a cidade cinza, a cidade de
pedra, a cidade sem amor. cidade sem amor? WHAT? rs. São Paulo se tornou pra
mim uma sina. foi com um amigo. éramos amigos há 4 anos, e ele tinha
acompanhado toda a minha historia com meu ex. éramos tão apegados! que eu nunca
poderia imaginar que dali surgiria uma paixão. pois é. tivemos nossa primeira
briga, aquela por convivência mesmo, e, na mesma noite, ele me mandou uma
mensagem ‘não aguento ficar sem você’ e eu pensei ‘não pode ser...’
lá estávamos nós, apaixonados, vivendo um amor intenso como se o
mundo fosse acabar no outro dia! era lindo quando ele ia me buscar na
rodoviária com um buque de rosas. ou quando me levava café na cama. ou morria
de chorar no meu colo por causa de uma briga. das infinitas horas no telefone,
e ele tocando ‘linger’ no violão pra eu ouvir ou fazendo nosso almoço. fazíamos
planos, queríamos nos casar e ter filhos e eu pensava ‘esse é o homem da minha
vida, pai dos meus filhos, enviado por Deus’. realmente, vivemos uma paixão
intensa e avassaladora. só que, mais uma vez, a distância deixou tudo mais
difícil. já não bastava mais telefonemas quando estávamos longe e decidi que
moraria lá com ele. tudo pronto aqui, era só arrumar uma casa lá. foi quando
tudo desmoronou. sim, numa quarta-feira de chuva, ele decidiu terminar tudo por
uma crise de ciúme. depois entendi que o ciúme era só desculpa, já havia outra.
descobri que havia muitas mentiras naquelas lágrimas e naquelas flores. foi, de
longe, a minha pior dor. eu achei que não fosse aguentar e ouvia
insistentemente aquela música ‘Deus tem o melhor pra mim’ tentando acreditar
que sim. foi difícil e demorou pra passar, mas pela graça de Deus,
passou.
nada como um novo amor para esquecer o velho. e agora, chegou na
melhor parte da historia. melhor até certo ponto.
quando vi aquele cara, juro que meu único pensamento foi ‘que cara
lindo’. no dia seguinte, um número desconhecido me chama no wts e sim era ele...
no mesmo dia, ele já estava em casa
conversando comigo como se nos conhecêssemos a vida inteira. foi incrível. ele
foi meu melhor romance, meu melhor amor, ele foi o melhor cara que passou pela
minha vida. jamais, nunca, nunca vou esquecer tudo o que vivemos. parecia que
eu vivia num sonho por estar com um cara tão perfeito assim. ele me fazia rir.
ele gostava de mim como eu sou. ele me fazia única, mesmo eu não sendo. me
abraçava tão forte que às vezes doía. amar ele doía. por que não fomos feitos
para durar. nossos caminhos se separaram pra nunca mais voltar. levo na
lembrança e no coração. com ele, entendi porque tudo tinha sido tão ruim até
então. e com ele aprendi a deixar ir também.
resumidamente, conto dos meus amores apenas para que você, assim
como eu, entenda que amores vêm e vão. e que enquanto não chega aquele que
fique, vamos vivendo a deliciosa experiência da busca. e da espera.
por que não importa o que aconteça, o presente sempre vai ser
melhor que o passado. e isso que me deixa em paz. saber que se hoje, ainda
continuo na minha busca, ainda continuo esperando pela minha pessoa ideal, é
porque o melhor ainda está por vir. os meus amores fazem parte da minha
bagagem, de quem eu sou, do que me tornei. toda lição vem dali. não me
arrependo de nada, nunca me limitei a não fazer o que eu sentia, por que foi
seguindo meu coração, caindo e tentando de novo que sou quem eu sou hoje. hoje
me sinto preparada e declaro que agora é a hora. aprendi tudo que tinha para
aprender, ou pelo menos quase tudo, e levo a vida leve, sem pressa, de coração
aberto e sem medo.
dos meus amores, esqueço as dores e levo o que foi bom. nada é
erro, tudo é lição. agradeço todo tempo a Deus por tudo que vivi e aprendi.
dos meus amores, só me restaram caixas com as lembranças, as
experiências, as lágrimas e tudo isso de vida. porque se viver não é amar, eu
não sei o que é.
beijinhos
com amor, laiz.

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